Filho de D. Teodósio, duque de Bragança e de D. Ana Velasco, casou em 1633 com D. Luísa de Gusmão, espanhola da casa de Medina Sidónia.
Já em 1638, os conjurados da Revolução de 1640 tinham procurado obter a aceitação de D. João para uma revolta contra Espanha. Mas as hesitações, ou cautelas, do duque fizeram levantar a hipótese de se conseguir o regresso do infante D. Duarte, solução que falhou, tendo-se mesmo encarado a instauração de uma república, nos moldes da das Províncias Unidas.
A verdade é, que depois da sua aclamação como rei a 15 de Dezembro de 1640, todas as hesitações desapareceram e D. João IV fez frente às dificuldades com um vigor que muito contribuiu para a efectiva restauração da independência de Portugal. Da actividade global do seu reinado, deveremos destacar o esforço efectuado na reorganização do aparelho militar - reparação das fortalezas das linhas defensivas fronteiras, fortalecimento das guarnições, defesa do Alentejo e Beira e obtenção de material e reforços no estrangeiro; a intensa e inteligente actividade diplomática junto das cortes da Europa, no sentido de obter apoio militar e financeiro, negociar tratados de paz ou de tréguas e conseguir o reconhecimento da Restauração; a acção desenvolvida para a reconquista do império ultramarino, no Brasil e em Africa; a alta visão na escolha dos colaboradores; enfim, o trabalho feito no campo administrativo e legislativo, procurando impor a presença da dinastia nova.
Quando morreu, o reino não estava ainda em segurança absoluta, mas D. João IV tinha-lhe construído umas bases suficientemente sólidas para vencer a crise. Sucedeu-lhe D. Afonso VI, seu segundo filho.
Soberano espanhol (1556-1598) e Rei de Portugal e dos Algarves d aquém e dalém-mar em África (1580-1598) nascido na cidade espanhola de Valladolid austero e frio, que se acreditava designado por Deus para preservar a religião católica entre os súditos. Filho do imperador Carlos V e de Isabel de Portugal, foi preparado pelo pai na sua formação política e o fez colaborar em tarefas de governo. Viajou pela Itália, Alemanha e Países Baixos (1548-1551) e com a abdicação do pai (1556), herdou o trono da Espanha e seus domínios coloniais: o Milanês, a Sicília e a Sardenha, Nápoles, o Franco-Condado e os Países Baixos. Em guerra contra a França, obteve vitórias nas batalhas de Saint-Quentin (1557) e Gravelines (1558). Casou-se quatro vezes, sempre por conveniência dinástica, primeiro com a prima Maria de Portugal, que morreu prematuramente em circunstâncias obscuras. Em seguida desposou Maria I Tudor, pelo que adquiriu supostos direitos à coroa da Inglaterra (1554), porém o projeto de união pessoal dos dois países falhou com a morte de Maria (1558), antes de ter tido um filho seu. A terceira de suas mulheres foi Isabel de Valois (1545-1568), filha de Henrique II da França, com quem se casou após a celebração do Tratado de Cateau-Cambrésis (1559) que terminou com a guerra de sessenta anos com a França, sendo esse casamento também parte do processo de pacificação. A última esposa foi Ana da Áustria, filha de Maximiliano II e mãe do futuro rei Filipe III. Ocupou o majestoso palácio El Escorial, que mandou construir na serra de Guadarrama, e trabalhou sozinho nas questões de estado, entre elas a luta contra o protestantismo. Para cumprir a missão que Deus "lhe dera", a de preservar a religião católica entre os súditos, não hesitou em agir com rigor e lançar mão de poderes discricionários, como o tribunal da Inquisição que fez restabelecer em Flandres, sob controle do duque de Alba. Combateu e obteve uma significativa vitória contra os turcos no Mediterrâneo, na batalha de Lepanto (1571) na qual tomou parte o escritor Miguel de Cervantes. Na península ibérica, completou a obra de unificação iniciada por Fernando e Isabel, após a morte (1580) do Cardeal-Rei D. Henrique. Após luta armada com seu primo D. Antônio, anexou Portugal e territórios ultramarinos às suas já vastas possessões, pois descendia do rei Manuel I, através da sua mãe, a princesa Isabel de Portugal, filha do rei D. Manuel. Seguidor da política imperial de Carlos V, envolveu-se em muitas outras lutas externas que o levaram a desgastar e minar os recursos financeiros e militares da Espanha, como no caso em que interesses religiosos e comerciais levaram-no à luta contra a Inglaterra, da qual a Espanha saiu humilhada com a destruição da Invencível Armada (1588). Governou com estrito controle pessoal sobre os conselhos e secretarias e, assim, mostrou sua falta de habilidade para distinguir o importante do trivial e a incapacidade de decidir com rapidez sobre questões importantes. Exemplo de monarca absolutista, o seu governo foi exercido com base em uma administração fortemente centralizada e um rigoroso arrocho fiscal, e morreu no palácio El Escorial, um dos mais importantes monumentos da Espanha erigido durante seu governo, perto de Madrid. No plano religioso, recorreu à Inquisição contra o protestantismo em seus domínios.